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(Prof. Celso C Pitta)
 

Escrevendo a História de sua Vida

Imagine que sua vida é uma história em um papel impresso que você mesmo escreveu. E que também você não sabe exatamente como ela foi escrita porque não se lembra mais de sua origem e você apenas se depara com as situações que está vivendo por conta desta história.

Você então procura, às vezes, mudar esta história porque ela não está mais de acordo com o que você deseja. Mas como você tenta fazer isso? Você não sabe exatamente como fazer porque não tem acesso à fonte que gerou esse “papel impresso”. Por essa razão, é muito difícil mudar as coisas que estão neste documento uma vez que ele já foi “impresso” no mundo físico.

Além do mais, nós fomos ensinados a acreditar que o que está “impresso” e “gravado” no mundo físico, não pode ser alterado. Em parte isso é verdade. A própria ciência materialista afirma isso categoricamente. Não podemos mudar a nossa realidade física pelas nossas intensões.

Mas, imagine que você pode ter acesso à fonte que deu origem a este documento, que é a história de sua vida. Imagine que este documento é um arquivo em Word que você pode editar novamente e imprimi-lo com uma nova versão, uma nova história.
Mais do que uma metáfora, isso é um exercício interessante e que funciona.
Edite um documento do Word, com duas colunas. Na coluna da esquerda escreva sua vida como ela é hoje, com suas dores, seus desapontamentos, sofrimentos, alegrias. Enfim, sua vida como você a percebe hoje. Observe que eu disse “percebe”. Isso mesmo, sua história é a percepção das coisas e fatos que você observa.

Agora, na outra coluna neste documento, a da direita, escreva a história que você gostaria de viver daqui pra frente. Invente, imagine, visualize sua nova história. Transforme as informações da coluna esquerda, em novas situações, na coluna da direita, de acordo com sua vontade.

Periodicamente, você deve consultar este documento e ver como está a situação. O que mudou com o tempo? Você pode usar esta técnica para planejar também. Escreva em outra coluna, se preferir, uma data e as ações necessárias para mudar as situações que você deseja.

Só o fato de você escrever e editar sua história vai provocar uma mudança em seu cérebro. O que escrevemos, tem uma chance de 30% a 40% a mais de dar certo, pelo simples fato que você deu atenção e observou.

Além do fato de sua história estar escrita em duas colunas. A da esquerda, representando o seu passado e a da esquerda, o seu futuro. Esta é a forma como seu cérebro vai interpretar sua vida.

Boa sorte!

A Essência de suas Competências

O que faz com que você seja diferente das demais pessoas? Que competências e características você tem que ninguém mais possui? 

Nada do que foi criado no universo foi feito sem um propósito. Do diminuto átomo à gigantesca galáxia, tudo existe com uma finalidade, que é única.Você sabia que o sucesso depende daquilo que há de essencial na sua forma de ser? E que nenhuma essência é igual à outra?

Você é um ser único! E, por isso, tem uma razão específica para existir. Todavia, saber disso não é suficiente. É preciso descobri-la para poder realizá-la.

Então, o que você deseja? Ser mais um rosto anônimo no mundo, ou se distinguir e cumprir o seu propósito?

 

Nossas Competências Colocadas em Ação

 

Nosso cérebro só percebe e processa uma parcela muitíssimo pequena da realidade que nos cerca e que chega a nossa consciência. E estas impressões são magnetizadas em nossa mente devido ao fato de que elas ficam registradas como memórias, em circuitos neurais.
Sendo uma parte muito pequena da realidade, isso quer dizer que, se não podemos perceber a totalidade dos eventos e informações, selecionamos ou escolhemos o que temos habilidade de perceber.

Mas qual é o fator principal que faz a fixação dessas informações em nosso cérebro e que vão funcionar como moldes de comportamento?
A resposta é: A Emoção, ou Emoções.

Elas servem como uma base para fazer os movimentos e sentidos que damos ás nossas experiências, ou os "vínculos emocionais" que usamos como uma "lente" com a qual vemos o mundo.

Nossas experiências e vivências criam, assim, reações químicas de emoções, ou memória emocional, que modelam circuitos neurais no hemisfério esquerdo do nosso cérebro. Sendo assim, temos a química do prazer, da dor, do sofrimento, etc. Somos "viciados" em emoções.
Embora o passado não exista mais, seus efeitos e condicionamentos ficam registrados como "vícios" em nosso cérebro, que nos fazem repetir padrões de funcionamento mental, como pensamentos, emoções e percepções distorcidas da realidade.

Sendo assim, o futuro que ainda está para ser criado fica, todavia, moldado como uma possibilidade de se repetir, como no passado, devido à este padrão criado no cérebro.

Entretanto, a intervenção no futuro e a criação de novas possibilidades se dá pela ação do hemisfério direito do cérebro, que pode enfraquecer e eliminar os circuitos criados anteriormente.

Esta reprogramação da mente é possível por meio de exercícios e pela descoberta dos padrões que criamos e nos "aprisionam", fazendo com que venhamos a agir e repetir o mesmo comportamento, sem nos darmos conta de como isso acontece. É quando ligamos o "piloto automático" e vamos fazendo as coisas e percebendo a realidade sempre da mesma forma viciada.

Este "piloto automático" é muito mais poderoso do que podemos imaginar, além de ser muito sutil e enganoso.

Saiba quais são os padrões negativos que você criou em sua vida, e como eliminá-los, para poder redesenhar seu futuro e agir de forma verdadeiramente deliberada.

 

Os Perigos da Auto Rotulação

 

Quando nós descobrimos quem realmente somos, encontramos a paz. Porque a fonte de todas as coisas e da qual somos parte é uma imensa rede de energia criativa que flui em várias dimensões da vida. Esta força em nós é aquele estado do Eu Sou, nossa identificação verdadeira.

Neste sentido, nossas virtudes não podem ser desenvolvidas porque elas já são parte de nossa natureza. O que temos que fazer é apenas incorporá-las. São virtudes não reativas, energias puras da nossa dimensão superior.

Quando nos auto definimos ou nos rotulamos com propriedades que não condizem com esta natureza, criamos um conflito de identidade e traçamos rotas destrutivas em nossas vidas.

Portanto, precisamos ter muito cuidado com expressões e conceitos com os quais nos definimos porque isso é uma invocação. Tudo o que colocamos na frente da expressão "Eu Sou" torna-se uma realidade para nossa mente subconsciente.

Afirmações como sou depressivo, angustiado, maluco, louco, bipolar, etc, quando relacionados ao nosso Ser, cria essa confusão que paralisa o fluxo de energia para dentro de nós.

Nós não somos o nosso cérebro, nosso corpo, nossa mente, nem nosso ego. Somos seres de Luz e que, temporariamente, usamos essas máscaras de personalidade. Nos identificamos tanto tempo com elas que acabamos por criar vínculos muito fortes com estas falsas propriedades.

De fato estas faltas identificações é uma decorrência do esquecimento de nossa verdadeira natureza, é uma tentativa de fazermos uma cópia grosseira da nossa essência, quie acabam criando situações diametralmente opostas às da nossas virtudes.

 
 

 

O Novo Significado do Trabalho na Sociedade do Conhecimento

                                

Empresas que insistirem na prática do no modelo industrial, na lógica da empresa padrão, onde prevalecem os valores materiais, objetivos e tangíveis, continuarão a incorrer no  erro que as colocarão na contramão da história.

Hoje vivemos a era do conhecimento como valor de um bem que não pode ser medido com os mesmos parâmetros das eras que antecederam o desenvolvimento das organizações. 

Uma nova economia está surgindo em que os novos participantes agora estão inseridos em uma rede de comunicação subjetiva e cognitiva onde o tempo, só para dar um exemplo, não tem o mesmo significado e sentido que tinha na era industrial.

Não podemos mais medir ou mensurar o custo da produção de bens e produtos e serviços na era do conhecimento, como mediamos o valor padrão da produção de bens na era industrial.

Tanto a lógica de acumulação de capital, quanto a inclusão do trabalhador e a empregabilidade deverão assumir um novo significado daqui em diante. 
Como se dará então essa nova lógica dos negócios na era do conhecimento? A ideia é elegante, mas a realidade é que sua compreensão exige uma disponibilidade que a maioria dos líderes não tem.

Assim como Peter Drucker e Fernando Pessoa (Navegar é preciso, Viver não é preciso) insistem no significado da vida, também Jesus nos fala (como um grande líder) sobre o mesmo tema: "Nem só de pão viverá o homem".

Em meu livro "Coaching para Empresas em Transformação" o tema é abordado, em várias perspectivas, para dar um novo significado de como os valores organizacionais podem impulsionar a sua missão, de uma forma sistêmica, que inclui o humano na dimensão do que é propriamente humano, em contraposição ao "homem-máquina", ou a "máquina-homem" incluídos e transformados em engrenagens, em uma metáfora que traduz todo o cenário de um mundo que está entrando em profunda transformação.

 

O Sangue Como Metáfora da Vida

 

O sangue é a vida dentro de nós. Ele leva os nutrientes necessários para nossas células e órgãos, nutrindo e mantendo seu funcionamento.
Você sabia que o sangue é um tecido? E que é um tecido especializado, da classe dos conjuntivos. Isso lhe dá uma característica que é, entre outras, a de se coagular. 

Significa plasticidade e adaptação.
Assim deveria ser nossa vida também. Não se congelar. Não permitir a rotulação que os outros sempre estão dispostos a nos impor. Sua história é somente sua. Sua jornada. E podemos e devemos mudar o rumo das coisas sempre que desejarmos.

Mas como ter esta capacidade de termos plasticidade, maleabilidade e, sobretudo, reconstruirmos constantemente nossas vidas?
Precisamos entender nossa história e honrá-la. Qualquer que tenha sido. Podemos mudá-la, ressignificá-la e projetar nosso futuro. Olhando para trás, nos posicionando no momento presente e criando possibilidades futuras.

Isso é particularmente verdadeiro também para as empresas e organizações, que deveriam estar em constante mudança, transformando a si mesmas.

O termo organização implica em dinâmica, funcionamento de sua essência, que é única, como são as pessoas. Empresas e pessoas são únicas.

Este entendimento permite um novo posicionamento, que faz com que percebamos as experiências sob uma nova perspectiva.
É preciso verificar se nossas experiências são moldadas pelas nossas crenças ou se elas são moldadas pelas nossas experiências? Em que nível estamos? O direcionamento que temos é intencional e deliberado ou situacional? Moldamos as situações ou somos moldados por elas? Nossa atenção é livre?

Como podemos, pessoas e empresas, manejar nossas crenças e fazer um alinhamento para as transformações que desejamos fazer?
O Coaching é uma ferramenta poderosa de consciência e transformação para as lideranças empresariais e para o alinhamento pessoal com objetivos e metas que desejamos.

 

Organizações Orientadas a Resultados

 

Todas as mudanças acontecem nos limites. Estas fronteiras delimitam a vida. Não fossem os limites, por exemplo, as células se desintegrariam em seu meio ambiente e a vida não seria possível.

Quando as circunstâncias chegam ao seu limite, quando você está no seu limite, é o momento da maior transformação.

A vida tem movimentos caóticos e imprevisíveis, mas há um padrão de organização na vida, que não faz parte de nenhum de seus participantes, mas ao mesmo tempo, é produzido por todos. 

Isso é que define um ser vivo - um padrão de organização que cria a si mesmo, ao mesmo tempo em que tece também o seu meio ambiente.
Quando, por exemplo, uma empresa acredita que existe um "lá fora", um mercado e seus concorrentes, esta crença vai distorcer sua visão.

Historicamente as organizações foram concebidas como máquinas, onde seus componentes processam informações voltadas à manutenção de suas funções muito especializadas, assim como no corpo humano.

Sobretudo, importa a manutenção de seu "status quo", e sua visão de sobrevivência. Este tipo de organização está longe de mudanças significativas.


O importante é o "dinheiro em caixa", uma visão muito rudimentar e grotesca da vida. Acreditam sobretudo no controle, nas avaliações autoritárias, com ênfase na eficiência e na redução de custos.Seus participantes normalmente ficam alienados nesse contexto e não conseguem ver suas contribuições no resultado final de seus produtos e serviços.

O filme "Tempos Modernos", de Charles Chaplin, faz uma crítica muito bem humorada e genial sobre este tipo de organização.
O grande desafio, hoje, é conciliar os movimentos caóticos dos participantes e atores do sistema, em uma dinâmica de grupo que seja capaz de se recriar de forma a preservar suas próprias identificações e visões.

As organizações vistas como sistemas vivos são uma metáfora que evidencia e favorece diferentes cenários baseados em uma diversidade de métodos de organização de si mesma.

Todavia, poucas são as empresas dispostas a modificar ou reformular suas visões para serem, de fato, organizações orientadas a resultados.

 

 

Da Paranoia à Metanoia

 

A "Visão" de separação que muitas empresas adotam quando procuram entender o mercado e o ambiente competitivo como algo que está "fora" delas, cria uma crença de que são unidades” independentes" e que, por força disso, se opõem a outras, e ao mercado, como uma reação em cadeia.

É possível entendemos a dinâmica de organizações que desenvolvem este tipo de mecanismo de defesa para perpetuarem seu "status quo" afim de permanecerem estáveis e garantirem sua sobrevivência. 

Por exemplo, quando a empresa vivencia algum tipo de crise ou se envolve em alguma tarefa desafiadora, o grupo reúne energia para enfrentar esta nova situação, que está situada no "mundo exterior".

Nesses casos, o grupo pode sentir uma necessidade de um tipo de suporte psicológico, para superarem tais desafios.

É comum também o grupo apoiar-se em algum símbolo, ou uma metáfora de seu passado glorioso, quando a organização costumava enfrentar suas crises, com relativo sucesso.

Neste caso, é muito comum que esta emergência simbólica fracasse por não corresponder às expectativas fantasiosas dos liderados, que logo procuram um outro tipo de solução, mas ainda dentro de seu sistema de crenças.

As organizações, nestes casos, podem ficar presas nas armadilhas deste tipo de artifício sabotador, substituindo e emperrando uma ação mais realista, o que paralisa também o grupo a ter iniciativas e auto-gerenciarem-se e motivarem-se. Este tipo de maturidade, todavia, é o que se espera para uma transição eficiente, de um estado atual, para um outro desejado.

Assim também, pessoas na organização podem ser usadas para distrair ou mudar o foco de atenção no problema ou na crise, quando tornam-se "bodes expiatórios". São pessoas que o grupo passa a odiar como os "criadores de caso", os "desajustados", e assim por diante. São, contudo, personagens necessários para que o inconsciente da empresa continue a projetar e descarregar energia para aliviar a tensão pela qual está passando.

Por outro lado, os grupos liderados, reagem á esta força inconsciente e desenvolvem mecanismos de defesa em que enviam mensagens frequentes de desagrado, na forma de sabotagens, pouco desempenho de suas funções e, outras formas de expressão agressiva, que variam entre o sadismo e o masoquismo.

Esse ambiente paranoico é um tipo de padrão que muitas organizações adotam inconscientemente, e que projetam invariavelmente, formando o tal "clima organizacional".

Nestes casos as organizações podem desenvolver um tipo de sistema de gratificações e punições em suas diretrizes administrativas, ao invés de olharem para seus processos internos.

Esses mecanismos inconscientes tornam-se tão poderosos, que acabam por refletir um estado coletivo, em que imperam as projeções de efeitos colaterais indesejados no grupo, como por exemplo, o isolamento e a falta de comunicação e a desconfiança entre líderes e liderados.

É muito comum, então, o surgimento de sentimentos coletivos como raiva, medo, inveja e outros impulsos muito destrutivos que irão paralisar a organização em sua iniciativa de se transformar.

Umas das formas eficientes para dissolver este tipo de clima na organização é fazer com que as pessoas se sintam participantes nos processos estratégicos existentes na empresa, onde podem visualizar suas contribuições como resultado de suas atividades. 

O reconhecimento destas contribuições pelos líderes da organização irá favorecer o crescimento e a produtividade do grupo, de forma a se expressarem positivamente e sistematicamente, por meio de mecanismos formais e transparentes a todos dentro da empresa.

As Organizações Vistas Como Metáforas

(Prof. Celso C Pitta)

Metáforas são figuras de linguagem muito poderosas. Quando falamos, por exemplo, que tal pessoa é uma "máquina", podemos querer dizer com isso que ela tem características de um robô, ou uma força incomum, ou até mesmo que não possui sentimentos, ou todas estas coisas juntas. 

Em qualquer um dos casos, todavia, estas metáforas estão longe de ser a realidade inteira desta pessoa e, por isso, ela vale, ao mesmo tempo, como uma perspectiva.A utilização de várias ou um conjunto de metáforas é, assim por dizer, muito útil quando queremos superar várias limitações impostas por outras metáforas.

Nesse sentido, somos capazes de ter vários pontos de vista para abordar uma mesma realidade e reforçarmos o poder da aprendizagem.

É surpreendente ver como as metáforas influenciam a vida das organizações, uma vez que estas convivem com aspectos naturais e artificiais ao mesmo tempo.

Em um artigo que escrevi sobre as organizações como sistemas vivos, falei delas como entidades que aprendem, ou se congelam em suas armadilhas psicológicas.

Usei a metáfora de uma bicicleta para mostrar a dinâmica de um mecanismo que quando é incorporado em sua própria estrutura, tem a característica de um ser vivo.

A capacidade de lidarmos com as metáforas organizacionais como Mandalas, por exemplo, nos possibilita ver suas realidades mutantes e entendermos os mecanismos do princípio da complementaridade, assim como nos mostra a física quântica.

Todavia, isso é mais fácil de entender, ou melhor dizendo, quando vivemos e visualizamos uma metáfora.

Em meu livro Liderança Criativa - a dimensão espiritual das organizações abordo o tema na forma de pensar as organizações como arquétipos. Assim, podemos ver as empresas como máquinas, como mentes ou ideias, ou como uma entidade que possui uma alma.

Entender desta forma as realidades organizacionais, representa um desafio para administradores e estudiosos do assunto.

Na maioria das vezes, não é fácil encarar a realidade sob estas perspectivas e, até mesmo, pode ser surpreendente e assustador.

Nisso também está envolvido o aspecto da sombra das empresas, que se oculta aos olhos das pessoas e que pode assumir um papel de um ilusionista, que aprisiona as organizações com seus mecanismos de opressão e imposição sob a forma de domínio sobre os outros.

Como diz Maturana: 

"Qualquer coisa que destrua ou limite aceitação do outro, desde a competição até a posse da verdade, passando pela certeza ideológica, destrói ou limita o acontecimento do fenômeno social".